No final, ninguém mais se importava. Era apenas o moço do ponto de ônibus. Na casa dos cinquenta, tinha morado com a irmã até o dia fatídico.
Alguns diziam, que era conhecido como um "partidão!"
Solteiro, casa própria para a qual nunca se mudou, bom salário, e uma poupança.
Um dia aceitou o convite de um amigo e saiu pra dançar. Não era de dança, mais ficou por ali no bar olhando, apreciando, tomando uma cervejinha.
Ela, aproximou-se puxou conversa, convidou-se para ensinar uns passos. Ele, não acreditou. "Como é que um mulherão, daqueles estava interessada nele?" Interessada sim. Conversaram até o calar da noite.
Foi a primeira vez que ele chegou em casa de madrugada. Na companhia dela, perdeu a noção do tempo, das horas, do espaço. Perdeu a noção de si!
Parecia que se conheciam há anos! "Perfeito! Perfeito!" Era o encontro de duas almas gêmeas. "Podemos nos encontrar no próximo sábado." Sugeriu ela.
A semana toda ele passou com o coração atropelado. Depois de um telefonema, ela pediu que ele à esperasse no ponto de ônibus. "Melhor você me esperar no ponto de ônibus."
No sábado tomou um banho demorado, vestiu roupa nova e se perfumou. Comprou pastilhas na farmácia e se foi.Chegou ao ponto de ônibus cedo. Nervoso tinha dificuldade de ver as horas. "Às oito" repetia ele mentalmente.
Sentou-se no banco com cuidado, para não amassar a calça. Não se movimentava com medo de suar. O sábado era como todos os sábados. Ônibus, não muito lotados, gente indo à festas, gente indo dançar.
Os olhos atentos, o coração disparava cada vez que alguém descia do ônibus. Mulheres com crianças, homens apressados, casais se abraçando, e nada dela descer.
Uma família com sacolas e malas, mulheres gordas, magras, feias e bonitas, e nada. Quarenta e cinco minutos, e nada dela descer.
Olhava para o relógio, achando que estava errado. "Onde é que ela mora, mesmo?" Tinha esquecido de perguntar.Queria ligar pra ela mais o número, era de um orelhão.
"O celular tinha quebrado!" disse ela num suspiro. Ele tinha até mesmo a intenção de lhe comprar um novo, coitada.
O domingo chegou sem que percebesse. Olhos fixos nos ônibus que paravam. Ali sentado há mais de um ano, lá estava ele.
Gente ia e vinha subia e descia do ônibus e ele esperando. "Me espera no ponto de ônibus." Ninguém sabia quanto tempo, ele iria esperar. Com os fixos nos ônibus ali ele faleceu.
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