Perdidos, sozinhos e desesperados
Milhões assombrados
pra lá e pra cá
E tão distraídos
Não vimos o sombrio
Se aproximar
Mais de quinhentas mil vidas
Sucumbiram ao destino
Sem ninguém avisar
Andando em círculos
Como gado aportado
Perdidos na selva
Sem uma trilha achar
De onde saíram estes déspotas malditos?
Do inferno infinito
Trazendo as mentiras
Destruindo a vida
Celebrando a família
Em um paraíso
Que nunca existiu
São homens vestidos em ternos suados
Costurados às desgraças
De um povo perdido
Em muitos destroços
De erros sociais
Sumidos, esquecidos
No banquete divino
Dos intelectuais
E se manifestam
seguindo a cartilha
Caricatural!
Estavam escondidos
Salvando pessoas
De forma ilegal
Sem nenhum aviso
surgiram em triunfo
Tornando legítimo
O poder de matar!
Matar muitas mortes
Matar os já mortos
Que sentiam medo de um dia pecar
Pecar o pecado
E se hoje se morre
Não é novidade
No nosso doce lar
Voltamos aos quinhentos
Quinhentos são anos
Que vamos lembrar
Que nos descobriram
Rasgaram nossas roupas
E nos ensinaram à comemorar !