Era a milésima vez que ele quebrava o disco. Quebrava e depois chorando juntava os pedacinhos. Gritava que nunca mais ia ouvir aquela música. Nunca mais iria chorar por aquela mulher.
Entorpecido pela bebedeira e pelo choro, dormia entre os pedaços do disco quebrado. No outro dia, passada a bebedeira chorava porque tinha quebrado o disco.
"Kalu, Kalu" cantava a Dalva de Oliveira. Segunda-feira ia para o trabalho cabisbaixo, na sexta voltava para casa com um novo disco. O mesmo disco da Dalva de Oliveira.
A maratona "Kalu" começava no sábado depois do almoço e terminava no domingo à noite. Ouvia Kalu, uma, duas, mil vezes. Gritava o nome dela, quebrava o disco.
Alguns diziam que a "Kalu" morava em Minas. Outros que que Kalu nem sequer existia. Era a soma de todas as mulheres, que cansaram da bebedeira.
Outros diziam que as lágrimas eram de crocodilo. Mais a verdade é, que ele sofria. Sofria aos vômitos. Abria a camisa e mostrava ao céu o peito.
"Kalu você não me quer mais!" Num novo rompante quebrava o disco. Cansado, dormia no chão entre os pedaços. Na segunda-feira com a cara inchada ia para o trabalho. Na sexta-feira voltava para casa com um novo disco.
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