A mãe dos meninos

 

Os meninos, eram cinco. Se algum dia, ela sonhou em ter uma menina, não sei. Ela nunca me falou, em todas as vezes, em que conversamos na cozinha. 

A cozinha era o seu reinado. Era da cozinha que ela via o mundo. Encostada na pia, ou no fogão, ela acompanhava o movimento da casa, que era muito. Os meninos entravam, saiam, chegavam com novidades, com amigos, namoradas, sonhos e planos de meninos.

Todos as vezes em que a encontrei, recebi sempre um sorriso largo. Da cozinha me perguntava se eu tinha, jantado, almoçado. Ali na cozinha que que emendava se à sala, muita coisa acontecia.

Os meninos chegavam, sentavam em volta da mesa, falavam todos ao mesmo tempo, contavam causos. A casa era cheia de vida e os olhos dela brilhavam. Brilhavam cheios de vida e de alegria.

Os meninos, agora homens, traziam o mundo para dentro de casa. A casa, era tudo para os meninos. E ela, estava sempre com a comida preparada. 

Tivemos algumas longas conversas, sentadas em volta da mesa da cozinha. Ela me contava como tinha preparado a comida, que comida os meninos e o marido mais gostavam.

Contava histórias de quando os meninos eram pequenos e da época em que tinha trabalhado. Me contava como a cidade tinha  se transformado. "Agora tinha até acontecido uns acidentes!"  Ela se preocupava.  Preocupava se com os meninos.

Se saiam de moto, de carro, se o sol estava quente, se tinha esfriado. Na timidez de quem não queria se meter, ela opinava.

Em todas as vezes em que nos vimos, recebi dela sempre algum agrado. A mãe dos meninos era pequenininha, sorriso largo. Da última vez que nos vimos, ela já não falava. Sentamos uma ao lado da outra no sofá. Ela segurou minha mão e apertou bem apertado. Aquela foi a nossa despedida. Último abraço!          

Um comentário:

TONCA FALSETI disse...

Wanda, muito difícil comentar uma realidade que vivemos e cheia de vida na sua escrita. Fico feliz de você ter participado desses momentos imorredouros que pouca gente sabe observar e sentir. Nós somos privilegiados de participar como agentes desses momentos de felicidade. Muito agradecido de você colocar essa história do cotidiano de uma maneira tão singular e maravilhosa.

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