Que era uma paixão fulminante, ninguém podia negar. Ela tinha se apaixonado no primeiro instante, primeiro olhar, primeira vez que ele entrou no escritório.
Se ele sabia, não se sabia. Não fazia nada. Ou melhor, fazia. Não dava um passo sem ela, quando vinha de visita ao escritório da capital.
Almoçavam juntos, faziam longas caminhadas, conversavam sobre tudo. Iam juntos ao banco, às lojas comprar roupas, ao cinema. Falavam sobre seus sonhos e segredos, amores não correspondidos, rompidos, seus planos e desejos.
Um dia, ele a convidou para passar o final de semana na casa da mãe dele. No domingo, voltando de um passeio, enquanto atravessavam o rio de balsa, ela pode espremer os cravos do rosto dele.
Foi a primeira vez, que a distância entre os dois ficou menos de um centímetro . Ela sentia e ouvia a respiração dele, que mais lhe parecia como um prêmio.
À noitinha ele lhe contou, sobre uma antiga paixão, e de como o coração ainda batia, pela mulher que o abandonara.
A ex era perfeita! Tinha se casado com outro. Triste, ele deitou a cabeça no colo dela. Com o coração batendo a milhão ela afagou seus cabelos.
Depois, com os olhos cheios de lágrimas, ficaram ali abraçados uns minutos.
Aquele final de ano passaram juntos. Dormiram no mesmo quarto, cada um em sua cama. Conversaram e riram, até quase o dia amanhecer.
Outra vez na casa da família, lá estavam os dois, no mesmo quarto, cada um em sua cama, contando histórias; Até que ele sentiu um frio, imenso.
Um frio que cobertor nenhum no mundo podia aquecer. Ela, então convidou-se para aquecê-lo.
Naquele momento em que ela pulou pra cama dele. Todo o universo se fez perfeito, e na escuridão do quarto, ela, não se deitou ao lado, mais em cima dele.
Rolando e se ajeitando na cama, os dois eram só desejo.
De repente, a cama foi ao chão! Não se importaram. A cama tanto fazia. Com as mãos na boca contiveram o riso e dormiram abraçados.
No outro dia, no café da manhã, por debaixo da mesa ele acariciava a perna dela. A família com cara de desconfiada, evitou qualquer comentário.
Com aquela voz que a arrepiava, ele sussurrou baixinho:
"Como é que a gente vai explicar a cama quebrada?"
"A cama quebrada? ... " pensou ela.
"A cama quebrada, não tem explicação!"
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