Num universo invertido
Carrego o horizonte comigo
Dos meus olhos a retina
É uma faísca tão louca
Que me sinto enternecido
Os sinos todos batendo
Nas janelas o povo vendo
Os prédios estarrecidos
Negando o prazer do desejo
Nas ruas o asfalto que vejo
Os carros estão depressivos
Procuro o meu horizonte
E tudo que tiro da fonte
São peixes apodrecidos
Num elevado encruzado
Abro os portões aos pedaços
As arvores secas da vida
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