Aquelas meninas que eram



Aquelas meninas que eram
 parte de uma vida

Hoje não são tão meninas
Hoje são poesia

Aquelas meninas fizeram
Aquelas meninas quiseram
Tomar o elixir da vida 

Aquelas meninas correram
Na cidade desapareceram
Elas eram artistas

Aquelas meninas regaram
A doce flor escondida

A flor dos que fazem da arte
A parte mais permitida 

Aquelas meninas se mostraram
Aquelas meninas se jogaram
Na loucura desprotegida

Aquelas meninas vagaram
Loucas pelo Bexiga

Aquelas meninas dançaram
Aquelas meninas homenagearam
 O santo e as suas feridas

Aquelas meninas quiseram
O prazer das coisas proibida

Aquelas meninas experimentaram
Os cigarros, os sabores e as bebidas

Aquelas meninas ambulantes
Na praia perambulantes

Numa emoção constante
 Uma época inebriante 
Fizeram a festa mais bonita

Aquelas meninas contentes
 Viveram intensamente

As vezes perigosamente
As vezes viveram somente

Aquelas meninas que eram
Do tempo inconsequentes

Descobriram de repente
Que a vida não prepara a gente

Os homens são coniventes
Procuraram o prazer e a despedida

Aquelas meninas bandidas
Elegeram as rupturas da vida

Aquelas meninas que eram
Casaram, mudaram, separaram

Hoje um pouco mais arrefecidas

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