Todo corpo é um poema


 Cantado em versos e prosa 

Pra alma pura obsessão


Desenvolvido no tempo 

e no espaço 

Preso à gravidade sem fim


Condenado a passar os anos

E  a sentir todas as estações


Subjugado à aparência

E ao valor da cor


Subsidiado à alimentação constante

Dependente de um funcionamento perfeito


Maquina locomotora de mensagens 

Desconhecida engrenagem sem inventor


O corpo traz em si

O sinal de que a vida existe


Vivo, habita

Ocupa, transborda

Sob os ditames alheios

Aos seus


Nunca liberto

Nunca completo

Nunca perfeito

Nunca satisfeito


O corpo, um poema

Aberto em leques


De quilos somados ao tempo

Ditando seu lugar na sociedade

Consumidor de coisas e objetos

Economicamente explorado


Criador de belezas plenas

Gerador de novos corpos

Gerador de doenças incuráveis


O corpo é um poema 

Findável






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