O que contavam era que eles tinham sido vítimas de uma mulher bandida. Isto acabou em separação. A danada, que era vizinha do casal se fez de boazinha, de amiga, e no final, queira era lhe roubar o marido.
Contavam que a bandida era muito bonita, loira, voluptuosa, sensual, um mulherão. Foi ficando cada vez mais amiga. Participava dos churrascos, das festas, da vida da família, e até tomava conta das crianças, se o casal queria dar um tempo e ir ao cinema.
A descoberta do romance foi choque pra todos na vizinhança. Queriam até pegar a bandida e dar lhe uma lição. A esposa chorou à cântaros e ele estava cego, enlouquecido de amor.
A família tentou ajudar e dar conselhos: "Não deixe assim sua família" "Mulher bandida não vale a pena" Nada adiantou, no final ele pediu a separação.
A causadora da tragédia sumiu logo que o escândalo estourou. Na calada da noite, desapareceu, ninguém sabia como e nem para onde. Se escondeu!
Isto fez com que o marido ficasse mais desesperado. Deixou a mulher e agora estava sendo deixado.
Todos tinham uma opinião: "Ela fugiu com outro" "Com o marido de alguém" " Foi se esconder no nordeste" "Viajou para uma praia de nudismo e está lá pelada se mostrando pra todos"
Meses se passaram e ninguém nunca mais soube da talzinha. O casamento não teve remédio, acabou. A esposa machucada não sabia se poderia reconstruir sua vida. História muito triste.
Um dia no escritório onde eu trabalhava, começou uma nova funcionária. Gostei dela logo de cara. Alegre, bonita, muito simpática, logo ficamos amigas. Conversávamos muito no horário do almoço. Ela estava sempre disposta à ajudar. Era companheira, não entregava os erros dos outros e não puxava o saco de chefe.
As vezes se eu trabalhava até tarde, ela ficava para ajudar. Me ajudava e depois íamos até lanchonete ao lado do escritório. Percebi que muitos olhavam pra ela. Não era loira, tinha cabelos castanhos claros, bonita, poderia até mesmo ser voluptuosa, mas não usava da volúpia. Era simples na vestimenta e modesta de se conviver.
Um dia entre tantas história, contei lhe o ocorrido com o irmão de um amigo. No final da história ela começou a rir como louca: -"Acha que é mentira?"
É uma história triste, coitada da mulher do cara, enganada pela amiga loira, alta, sensual ? "Ah!" "Meu Deus! que vida"
Então ela me perguntou o que eu acharia se a loira da história fosse ela ?
- "Não sei, você não me parece bandida."
- "Pois é, eu sou o outro lado da história".
- "Na verdade nunca quis machucar ninguém. A Paixão aconteceu. A gente até que tentou evitar a coisa. Mas havia como que um imã que nos puxava um para o outro."
- " Um dia de repente estávamos atracados na cama. Foi a melhor relação da minha vida."
- "Eu nunca fui ligada nessas coisas de regras. Acho que o amor acontece, ninguém tem como planejar uma paixão. Muitas vezes me sentia culpada, mas quando o via, todo o meu corpo se queimava de paixão."
- "Pensei em conversar com ela, pedir desculpas, perdão, relatar que eu na verdade gostava muito dela, das crianças de todos. E isto é verdade. Mais a vizinhança queria me pegar tirar minha pele."
- Fugi pra Minas pra casa da minha avó. Lá encontrei minha avó doente e meu avô confuso sem saber como cuidar da mulher, da casa e da roça. Fiquei lá uns seis meses, cuidando dela. Eles entenderam que eu tinha algum problema, mais nunca perguntaram qual."
- "Nestes seis meses descobri que era só paixão. Se fosse amor teríamos enfrentado tudo juntos. Ele nunca me fez esta proposta. Quando sumi ele não me procurou."
- Porque ele não voltou pra esposa, depois que eu sumi? Quem ama perdoa, diz o povo mas ele caiu fora do casamento. No final eu sou a bandida e ela a coitada."
Como diz o Gilberto Gil meu coração é mil. me apaixono todos os dias da semana. Minha alma é livre e meu coração é grande. Quero amar o ser humano acima de todas as coisas. Minha amizade era sincera, o problema são as regras da sociedade!
Assim aconteceu minha melhor amiga, uma mulher bandida com um enorme coração.
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