Duro do Mané, caiu como balão apagado
Devagarinho, ao sabor do vento
se enroscando
Uma antena aqui, uma beirada ali
um telhado acolá e e depois,
A mão da garotada
Ninguém ganha, ninguém perde
e do pobre do balão ficam só os pedaços.
Assim ficou o Mané
depois que a Clara foi se
Um balão com o fogo apagado
Ela bem que avisou
tentou evitar a tragédia
Mas o cabeça dura
não entendeu a linguagem
Achou que era só amar e a coisa se resolvia
Amar à maneira dele
e não à maneira de Clarinha
Ela queria alguma coisa
mais do que amor
Amor numa cabana
É coisa do passado
O cara era mesmo pão duro.
Duro de roer.
Achava que bastava o amor
. "Amor é bom" disse a Clarinha,
mais no dia a dia
a gente precisa de outras coisas.
A Clara cansou do Mané
, pegou a bandeira e se mandou
. "Com cara pão duro, não moro mais não."
O Mané não entendeu.
"Pão duro eu?"
"Pois é assim que você me paga,
eu salvei você de uma mancada?"
Clarinha cansou da vida de Amélia.
Da falta vaidade.
O duro do Mané
queria uma mulher de verdade,
Clarinha não era Amélia não.
Gostava de se pintar
e comer de verdade.
Achava que dinheiro,
não é só para guardar
para a posteridade.
O Mané ao contrário
era seguro na mão,
"Daqui dinheiro não sai, não."
A Clarinha se cansou
de tantos esclarecimentos.
Cansou de dormir no cimento
, cansou de comer só feijão.
Pensa que o Mané não tinha dinheiro?
Tá muito enganado.
O dinheiro estava no banco guardado.
Duro do Mané caiu
como balão apagado.
Não tem mais a Clarinha do seu lado
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