Somos crianças perdidas na floresta
Marcamos o caminho com migalhas de pão
Os pássaros comem as migalhas
E nos deixaram assim, sem direção
Somos crianças aprisionadas pela bruxa malvada
Não sabemos quanto tempo estamos na prisão
Engamos o destino com nossos dedos magros
Esperamos pelo dia da libertação
Somos crianças cantando na floresta
Para as nossas avós levamos doces e canções
Não notamos o lobo que nos persegue
Não sabemos que do lobo somos ração
Somos crianças e sabemos
Que a batatinha quando nasce
Certamente se esparramará pelo chão
Não carregamos nosso pai no bolso
Mais a mãe no coraçãoSomos crianças desesperadas
Rodando o mundo com uma ambição
Cantando ciranda, brincando de bola
Somos crianças da imensidão
Somos crianças por toda uma vida
Somos crianças sem coração
Desaparecem as migalhas
Ficam somente a ilusãoSomos crianças num conto de fadas
E no ilusório dos sonhos encontramos razão
Amamos ardente a tal desta vida
E lemos nos livrosUma consolação
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