Nos últimos versos que eu fiz,
As pessoas acharam
Que eu não tinha felicidades.
Os primeiros versos que eu escrevi
Foi quando me senti livre
Solta, indo à todos os lugares
Conhecidos e desconhecidos da cidade
Te conheci numa noite azul
Entre as dunas e o mar
canoa quebrada
Você estava sentado
Olhando as pessoas que passavam
Sozinho
Você esperava por uma oportunidade
Numa noite menos azul
Poluída da cidade
Reencontrei você
E as nossas amizades
Corremos como loucos
Bebemos como nunca
Sozinhos no final da noite
Desta movimentada cidade
Ouvimos Ravel muito alto
E os vizinhos?
não sei se reclamaram
Nós nem sequer nos importamos
Estávamos, super baseados
Me lembro que gostei do cheiro da sua barba
Enquanto dançávamos
Me lembro que caímos ao chão
E nos enchemos de risadas
Me lembro que gostei do cheiro do seu corpo
Cheiro de homem tomado banho
Um leve cheiro de loção
Que o nome não me importava
Me lembro do cheiro.
Mais não, como chegamos ao quarto
Me lembro que acordei de madrugada
A janela estava aberta
E eu vi uma lua redonda e cheia
Dominando o céu de São Paulo
Me lembro que do sétimo andar, eu pensei
Sou eu.
Sou eu que domino esta cidade
Me lembro que um carro esquecido
Rodava pela rua lá embaixo
Um único carro
Que levava alguém pra algum lugar
Desta cidade
Num apartamento desconhecido
Num bairro quase amanhecido
No domingo ninguém trabalhava
Foi ai que pensei em uns versos
Que eternizassem esta noite
E os seus pequenos olhos brilhantes
Atrás das lente dos óculos que me olhavam
Me lembro que eram verdes
Pequenos e inquietos
Olhos que sorriam enquanto você falava
Me lembro que perto da hora do meio dia
Quando os carros preguiçosos
Pelas ruas rodavam
Tomamos café entre
nossas roupas espalhadas
Num apartamento situado
No Sumaré
Que era mais um bairro
Da cidade de São Paulo
Assim, me senti amada!
Me lembro do apartamento
do bairro
Me lembro de você
Que em mim ficou marcado
Os últimos versos que fiz
Estavam assim ligados
Aos primeiros versos que eu fiz
Fazendo círculos
Em volta da cidade
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