Era uma vez uma menina que não tinha vergonha de nada. Ela morava em um condomínio não fechado com 13 prédios de 13 andares. No edifício número 13 no décimo terceiro andar.
Seus pais tinham comprado o apartamento pelo BNH. O número do condomínio era 1313, e o total de famílias moradoras eram 313.
Desde pequena, sua mãe dizia que ela deveria sempre dizer a verdade e nunca ter vergonha de nada. Assim, quando criança ela não tinha vergonha de fazer xixi nas calças e nem na cama.
Tirava meleca do nariz sem a menor cerimonia, lambia o ranho que escorria quando estava gripada e o resto limpava com manga da blusa.
Um dia na classe, os alunos sentiram um cheiro muito forte. Se entre olharam, procurando de onde vinha aquele cheiro, até ela, a Fada esclarecer a situação. "Fui eu que soltei um peido". "Eu comi repolho ontem à noite". Os alunos disseram em coro, espantados: "Credo que menina sem vergonha!"
Numa outra ocasião ela viu um companheiro de escola roubar o lanche de outro colega. Sem problemas entregou-o para a professora. Assim, ela foi crescendo, falando tudo sem a menor cerimonia.
Se alguém lhe perguntava se estava gordo ela respondia que sim. Se alguém lhe perguntava se estava magro também. Se alguma amiga perguntava se a roupa estava boa, ela dizia exatamente o que via. "A roupa não lhe passa bem" .
Se deixava de fazer alguma coisa porque sua mãe não tinham dinheiro, dizia logo a verdade. "Eu não vou porque não tenho dinheiro pro lanche e pra condução."
Aos poucos foi ficando isolada. Ninguém queria falar com ela com medo de ouvir a verdade. Das 313 famílias que moravam no condomínio, 312 diziam a mesma coisa: "Ela é muito bonitinha como uma fada, mas é muito sem vergonha"
Os meninos do condomínio não se importavam muito. Porque se pediam para ela lhes mostrar os seios quase crescidos. Ela levantava a blusa e mostrava. Se pediam para ela lhes deixar ver os pêlos pubianos quase crescidos, ela abaixava as calcinhas e mostrava. Assim, ela ficou famosa no condomínio e na rua. "A menina sem vergonha e sem papas na língua."
Na adolescência, sentia se muito sozinha. Não tinha amigas, não tinha namorado, não tinha sequer uma coleguinha que quisesse falar com ela. Quando passava na rua ouvia as pessoas dizerem: "Lá vai a menina sem vergonha!"
Aquilo a deixava triste. Tudo o que queria era ser igual aos outros. Queria não dizer tudo o que pensava e não atender a todos os pedidos sem cerimonia. Sim porque, se ninguém queria acompanhar um velhinho ao supermercado. Ela o fazia. Se ninguém queria dar a mão a um morador de rua sujo e fedido. Ela o fazia.
Se ninguém tirava lesma do caminho. Ela o fazia. Se todos tinham medo de baratas. Elas as pegava e jogava no lixo com carinho. Sem ninguém queria socorrer um cachorro de rua machucado. Ela o fazia. A mãe desligada dos comentários, achava que a filha era uma fada. "Não se preocupe lindinha, um dia você vai encontrar um príncipe."
A fada sem vergonha, foi cresceu e se tornou se uma moça linda. Trabalho ela não tinha. Falava sempre a verdade nas entrevistas. Não, não tinha nenhuma experiência, achava o salário baixo e as condições de trabalho, não eram boas.
A mãe sozinha, de tanto trabalhar ficou doente. Com a pensão do auxílio doença que recebia, mal podia comprar a comida. Ficou devendo pra todos mundo e o pessoal começou a reclamar. "Que família sem vergonha, não pagam nada!"
Um dia a menina sem vergonha desapareceu! Sua mãe a procurou em toda vizinhança. Ela tinha saído de manhã para procurar emprego e não retornou. Os vizinhos com pena até a ajudaram a procurar a menina.
Os anos foram se passando e ninguém nunca mais ouviu falar da Fada sem vergonha. Um dia como num conto de fadas, parou na frente do condomínio, um super carrão.
Uma limusine! Quando o chofer abriu a porta, ninguém pode acreditar. De dentro do carro, saiu a Fada sem vergonha toda vestida em Chanel, Prada e Louis Vuitton.
Um milionário que queria pagar uma pessoa, que lhe dissesse sempre a verdade, encontrou a Fada sem vergonha. A cada verdade, ela ganhava um milhão. E com este emprego a Fada Sem Vergonha, ficou milionária.
E não foi só isto o que ela conseguiu. Com a história de mostrar as tetas e tudo mais, tinha se casado com o filho do milionário e eles viviam em Milão.
Nunca tinha mentido pro marido sobre os orgasmos. Eles tinham uma relação maravilhosa! Ele tinha entendido que ela era uma Fada. Sem Vergonha, mas uma fada!
Como nenhum conto de fada termina sem uma pessoa de bom coração. Eles tinham vindo buscar a mãe velha e doente. A mãe também ia morar em Milão!
Com os 312 moradores do condomínio de boca aberta, entraram mãe e filha na limusine, que voou em alta velocidade pelas ruas empoeiradas do Bairro. Aquele domingo à tarde ninguém nunca esqueceria.
Depois deste conto de fadas, o restou à todos, foi assistir o Domingão do Faustão !!!
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